Com o Ozempic e seus correlatos, estamos presenciando uma das maiores revoluções no tratamento da obesidade. Porém, há um outro tipo de obesidade que vem se agravando e para a qual ainda não há iniciativas terapêuticas tão enfáticas quanto: a obesidade mental.
Tal condição é também resultado de um consumo excessivo de substratos que, embora potencialmente nutritivos, não são adequadamente aproveitados pelo organismo e passam então a serem danosos. Há de se destacar também que, aos moldes do que vemos no contexto da obesidade metabólica, aqui também há, muito comumente, o consumo de substratos que são nutricionalmente muito pobres, mas extremamente palatáveis e de fácil digestão.
Os mais sagazes já devem ter inferido que estamos aqui falando dos conteúdos digitais, sobretudo os embutidos, seja nas redes sociais ou nos inúmeros cursos que os experts disponibilizam na rede mundial de computadores.
Os leitores bem letrados e dotados da capacidade de interpretar textos não hão de ter dificuldades em perceber que não estou condenando a disseminação de informações e de conteúdos instrutivos, tampouco a iniciativa de compartilhar conhecimento. Longe disso, até porque me incluo no grupo de especialistas educadores.
O ponto central aqui é aquele que todos já devem ter ciência desde a juventude: a toxicidade não se resume ao que é consumido, mas sobretudo a quanto e como é consumido. Atentem-se, pois, assim como um corpo obeso se torna progressivamente mais limitado em suas funções, tal qual se torna a mente obesa.